sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ruivando


Cor atual: Base Keune 9.43 + Ox de 30 volumes apenas na raiz. Como ele não desbota mais, a manutenção só  de raiz agride bem menos. Por cima: tonalizante Celso Kamura uma vez a cada 20 dias mais ou menos, cor Conhaque.

    Olá pessoal! Há muito tempo mesmo eu estava para elaborar esta postagem e publicá-la, mas entre trabalho e outras atividades que me ocupam bastante, não conseguia. No entanto, nunca esquecia de que um dia faria, por isso fui coletando ao longo de mais de um ano, informações e imagens que julguei muito úteis para quem quer “tornar-se ruiva”. Mas a postagem vale também para quem já pinta de ruivo e tem alguma dúvida, ou quer mudar por exemplo sua cor, torná-la mais clara ou mais escura.
   A cor aqui em foco é o ruivo “laranja” (acobreado ou cobre), que aparenta mais naturalidade. Ao longo dos anos (9 de ruivice), foram muitas perguntas para mim, abordagens na rua (incontáveis), nas lojas de cosméticos, no salão de cabelereiro, no banco, no mercado etc., sempre questionando as mesmas coisas: se é natural, que tinta eu uso, como fazer, se pintar ficaria da mesma cor do meu com cabelo de outra cor, e por aí seguem-se.
    As pessoas pensam que sou ruiva natural, devido ao fato de que sou branquinha.  Então: sou morena, descendente de árabes, mas sou fã de protetor solar e odeio sol. Me bronzeio super fácil, mas pelo fato de odiar sol, acabo dando essa sensação às pessoas de ser natural a ruivice.
                                     
          
                                   Tinta: Yamá 7.40 + OX de 20 volumes

    Sempre fui aficionada por esta cor, e depois que descobri, não parei mais. Não sou da geração “Simone Simons” (mas respeito). Sou um pouco mais velha, e minhas influências sempre foram undergrounds. Mas quando eu queria um ruivo laranja, não desejava aquele laranja Color Fantasy.  Aí fui experimentando e descobrindo. Hoje há muito mais tintas e disponíveis no mercado. Digamos que ficou um pouquinho mais fácil. E de tanto as pessoas perguntarem, pensei: “mais cedo ou mais tarde, vou ter de fazer uma postagem sobre o assunto, para ajudar quem está na peregrinação”.

                                                 
O que eu fiz para essa cor: cabelo base ruivo de 9.43 da Keune + Mix Tec Italy  no creme condicionador, pintado por cima (em outro momento distinto e após a coloração). Quando você faz essa mistura, o cabelo fica tonalizado, mas resseca e sai em duas lavagens.

                                
       Ruivo “totalmente natural” e não tão puxado para laranja: Keune 9.43 + Ox de 30 volumes, com manutenção apenas de raiz.
   
   Separei aqui esclarecimentos às perguntas mais frequentes:

TINTURAS

1 - VOCÊ É MORENA? = Tempo & paciência. Não vá descolorir seu cabelo todo de uma vez!! Esse é meu PRINCIPAL conselho. Ainda mais se seu cabelo for seco! Dica: se você tiver meses de paciência, e quiser ser ruiva por um LONGO PRAZO, vá puxando mechas. No meu caso, uma vez a cada seis meses, puxo luzes em touca (sim, aquela que puxa mecha por mecha, com “agulha” = método mais antigo, porém mais eficiente). Com cabelo compridaço, está ficando cada vez mais sofrido).

2 - CABELO PRETO, CASTANHO ESCURO & DESCOLORAÇÃO = Tempo & paciência. Você pode até ficar ruiva “de primeira”, mas cabelo descolorido e pintado, nas primeiras colorações (tinturas), desbota e a tinta se vai em duas ou três lavagens. Muitas meninas usam tonalizante entre uma tintura e outra, para reforçar a cor e resolver isso. O tonalizante não é tintura permanente. Ele dá uma forcinha, mas não tem fixador. É uma ótima opção porque agride menos os cabelos.

3 - MORENA, CABELO ESCURO, PEGA NA PRIMEIRA VEZ A TINTURA? Tintas não clareiam o cabelo escuro, a não ser que faça descoloração. Então se usar a “tinta normal apenas”, com Ox de 20 ou 30 volumes (água oxigenada que vai  misturada)  vai pegar sim, mas vai ficar escuro! Meu conselho: Se quer ficar de primeira, tudo bem, use descolorante, mas trate dos cabelos, faça manutenção & hidratação.




4 - Cabelo assim, custa caro? Não custa caro se você optar por fazer tratamento contínuo em casa. Há tintas mais baratas e boas hoje disponíveis no mercado, shampoos, ampolas reparadoras e máscaras. Mas o que a maioria das meninas não compreende, é que é necessário fazer a manutenção dos cabelos coloridos, pois o desgaste e o prejuízo aos fios é permanente. Então, é importante aparar as pontas, cuidar na lavagem e na hidratação. Ou seja, não basta pintar e pronto! Mas o gasto é mensal, isso com certeza.

5 - Manutenção de raízes apenas, ou pintá-lo todo mês? Meu cabelo é ruivo há tanto tempo, que estou há quase dois anos só fazendo manutenção da raiz. Nos primeiros anos, eu tinha de pintar ele inteiro todos os  meses, porque a tinta não durava muito. Mas isso varia bastante de um cabelo para outro. Há meninas que seu cabelo não desbota tanto não. A tinta holandesa Keune, é uma ótima indicação nesse caso, ela segura bem a cor. No entanto, o que é comum tanto para loiras, cabelos castanho claro ou morenas que pintam de ruivo, é que se você pintá-lo inteiro por meses a fio, ao invés de apenas a raiz, o cabelo vai escurecer.
                            
Tintas e marcas para um ruivo acobreado (laranja):

- Yamá 7.40 (com Ox de 20 para cabelos mais claros ou descoloridos e Ox de 30 para os mais escuros)
- Keune 8.40 e 7.44 (com Ox de 20 para cabelos mais claros ou descoloridos e Ox de 30 para os mais escuros)
- Igora 7.7 (com Ox de 20 para cabelos mais claros ou descoloridos e Ox de 30 para os mais escuros)

      A numeração que termina com 4 tende mais para o laranja. A numeração que termina com 3, tende mais para o dourado.

       Se você não achar na sua cidade, com certeza consegue comprá-las pela internet. 


                                      Tinta: Keune 8.40 + OX de 20 volumes
                
Cor atual: Base Keune 9.43 + Ox de 30 volumes apenas na raiz. Por cima: tonalizante Celso Kamura uma vez a cada 20 dias mais ou menos, cor Conhaque.

Você pode obter mais informações a respeito de tintas na postagem (entrevista) que o Blog Frescurinha vez comigohttp://goo.gl/b1q4JR 


Separei aqui uma entrevista com a Daniela Gruendling, Terapeuta Ocupacional e professora de Yoga.

   A Dani pinta dessa mesma cor há muito tempo também, mas usa outra coloração e tem mais dicas interessantes.


Persephone:  Há quanto tempo é ruiva? 
R: Nem sei... Uns 7 anos eu acho.



Persephone: Alguma inspiração especial? Referências? 
R: Sempre quis o cobre intenso, laranjinha, o ruivo mais claro e mais natural possível, o "ruivo irlandês". Sempre me apaixonava ao ver uma ruiva com esse tom (até hoje na real, babo nos ruivos!), adorava o tom da Molly Ringwald (atriz dos anos 80, do Garota de Rosa Schocking e do Clube dos Cinco).

Persephone: Que colorações que já utilizou? 
R: Usei muuuuitos tons de vermelho, não vou lembrar de todos. Mas quando comecei a tentar o ruivo mesmo, usei vários tons da Alfaparf, acho que comecei com o 7.66, que é um vermelho bem forte. Fiquei um bom tempo usando essa cor. Minha idéia era fazer uma base vermelha bem intensa no cabelo, porque senão, não iria clarear. Meu cabelo é um tom de castanho médio, mas já tinha muita coloração nos fios e eu não queria descolorir. Depois encontrei os tons de cobre da Alfaparf, o 7.34 e 7.43, depois o 8.34 e o 8.43 (8 é a base mais clara), os quais infelizmente saíram de linha. Aí tive que procurar outras alternativas. Hoje uso da Itely Colorly, mas estou louca pra experimentar da Igora, o 7.77.

Persephone: Que coloração você usa atualmente?
R:  Hoje uso uma mistura do 8FA e 8T da Itely Colorly. A cor não é tao intensa quanto era da Alfaparf, mas no meu cabelo ficou bem natural. Usei por muito tempo a Ox de 30, mas começou a ficar muito claro (loiro) quando desbotava, então voltei pra ox de 20. Também tive a impressão que a 30 estragava mais o cabelo. O lance é, se você não for fazer no salão, ter paciência e ir buscando o tom que melhor se adequa ao teu cabelo. Sei de gente que usa a base 7 e fica tão claro quanto o meu.   




Persephone: Utiliza algum tonalizante ou tem algum truque para manter a cor por mais tempo? 
R: Uso às vezes um condicionador cobre revitalizador da cor, da Itely Colorly, mas ele é beeem forte (pinta tanto quanto tinta!), puxa mais pro vermelho do que pro ruivo. Então misturo um pouco dele com bastante condicionador normal e aplico no cabelo por uns 3 min. Demorei pra achar as quantidades certas pro meu cabelo, mas hoje gosto bastante do resultado e uso uma ou duas vezes por semana quando começa a desbotar.

Persephone: Quais são seus cuidados com o cabelo? Algum especial? 
R: Todas às vezes que lavo o cabelo preciso passar daquelas ampolas de 1min (algumas são de 3 minutos) da Dove, Elseve, Pantene ou Tre Semme. Todas são boas e hidratam legal. Se eu não uso isso, o cabelo fica super seco e difícil de pentear. São os problemas de se pintar tanto o cabelo...



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Dança na subcultura Heavy Metal

                                                    
  Entrevista a Elke Siedler, por Cielinszka Wielewski*

“...Estereótipos foram quebrados no que concerne aos fazeres próprios de cada segmento das artes!” – Elke Siedler
    A dança é arte milenar. No entanto, para quem curte qualquer subgênero dentro do que convencionamos heavy metal, o estranhamento é comum; afinal, dança pressupõe gestos delicados, trilhas sonoras adversas ao metal, bem como público diferente ao que estamos acostumados quando vamos a um show.
Será? Nas últimas décadas no Brasil, a dança vem ganhando cada vez mais espaço “no mundo metal”, perpassando diversos estilos, mostrando a integração entre as distintas manifestações da cultura underground. E ela veio para ficar! Afinal, onde há musicalidade, pode haver dança. Ambas podem manifestar e expressar a agressividade a que somos submetidos, além de passar um conteúdo/mensagem (seja esta de crítica ou não).
Hoje tenho o prazer de expor aqui a entrevista realizada com Elke Siedler, de Florianópolis/SC. Bailarina, coreógrafa, professora e escritora, conseguiu transpor a barreira do preconceito, propondo novos desafios que podem muito bem nos levar a refletir: Qual a proposta das artes, independente do estilo musical?

         
                                    Foto: Alexei Leão     
      
1. Conte um pouco da sua história/trajetória profissional na dança.
            Iniciei meus estudos em dança, aos cinco anos de idade, por indicação médica: meus joelhos eram direcionados para dentro e deveria fazer um trabalho de fortalecimento muscular para realinhá-los. Este foi meu primeiro contato com a dança e o início de um grande amor pelas artes do corpo! Aos seis anos de idade decidi que seria bailarina profissional e, desde então foquei minha vida para esta carreira. Resumidamente, fiz ballet clássico dos 5 aos 19 anos, com a maitre Bila Coimbra, na escola chamada Estudio B, em Florianópolis/SC; aos 19 anos entrei para o elenco de um grupo de dança contemporânea profissional chamado CENA 11 (uns de maior relevância artística na cena contemporânea da dança brasileira); com 25 anos decidi trilhar por caminhos próprios e criei a Siedler  Cia De Dança, na qual assumi as funções de coreógrafa-dançarina e direção geral. Hoje, aos 37 anos, tenho convicção que fiz a escolha certa ao optar pelos caminhos da dança! Não sou apenas coreógrafa e bailarina, agreguei a carreira acadêmica: fiz graduação em História (UFSC), Especialização em Estudos Contemporâneos em Dança e mestrado em dança (UFBA) e agora sou doutoranda em Comunicação e Semiótica (PUC/SP). Descobri que, para complexificar meus fazeres enquanto artista, lecionar é fundamental enquanto compartilhamento de saberes e produção de conhecimento. Além de cursos livres sou professora colaboradora de práticas do corpo, na graduação de Teatro, na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Bem, entrei como sócia proprietária de um centro cultural privado, em Florianópolis/SC, chamado Célula Cultural Mané Paulo, que se presta a criar um ambiente de convivência entre fruidores, estudantes, amadores e profissionais da música autoral (rock, pop, metal e vertentes), dança, teatro e performance. Além disso, é um espaço de estudos, ensaios e apresentações destas linguagens artísticas. Bem, minha vida de bailarina se expande e gera ações em outras instâncias extra-palco.
                                     
  
                                    Foto: Cristiano Prim       
                         
2. Você desenvolveu um projeto magnífico junto à banda Stormental, de Florianópolis/SC. Explique para os leitores como foi esse processo, quais os conceitos trabalhados, os lugares por onde se apresentaram, bem como foi a receptividade do público. 
            Particularmente tenho um carinho grande por este projeto e considero ele como parte dos trabalhos de maior relevância da minha carreira!! Nós da Siedler Cia de Dança e a banda de prog-metal Stormental estabelecemos uma parceria artística em 2008. O resultado deste encontro inusitado de dança contemporânea e heavy metal foi a concepção do espetáculo PERCEPTION OF THE OTHER. A direção artística do espetáculo foi assinada por mim conjuntamente com o Alexei Leão, vocalista da banda. O elenco é composto por 4 bailarinos e 4 músicos
            Resumidamente, este projeto é ousado pela proposta de conceber um encontro entre dois mundos aparentemente distantes: metal e a arte contemporânea da dança. Fomos inspirados pelo estudo das percepções humanas para levantar questões acerca das diferenças existentes na interação entre indivíduos e na convivência com o mundo. Os modos compositivos da Siedler e do Stormental passaram por modificações para a realização deste projeto onde utilizamos momentos de improvisação em tempo real enquanto estratégia de criação de um ambiente sincero de percepção e diálogo com o outro. A receptividade do público foi linda! Após os espetáculos tínhamos o hábito de conversar com a platéia, de maneira informal! Neste momento as impressões do público vieram à tona e, de modo geral, percebemos que quebramos paradigmas ao apresentar o metal para o público da dança e vive-versa. Isto significa que estereótipos foram quebrados no que concerne aos fazeres próprios de cada segmento das artes!

                          
   
                               Foto: Guilherme Ternes

            Em 2012, lançamos um DVD/CD, produzido pelo próprio Alexei Leão. O projeto gráfico é em digipak com embalagem slipcase. No mesmo ano disponibilizamos o DVD/CD para audição e download através do soundcloud. Esteve na lista dos melhores no Blog Estadão, de São Paulo/SP.
            Fizemos muitas apresentações desde o início do projeto. Entretanto, destaco as que realizamos numa turnê pelo sul do Brasil, no primeiro semestre de 2012, subsidiado pelo Prêmio FUNARTE de Dança Klauss Vianna/2011 e, por fim, nossa turnê pelo CIRCUITO SESC DE MÚSICA, em 2013, onde circulamos por 28 cidades catarinenses num período de 45 dias.
               
                                
       Banda: Stormental   Espetáculo PERCEPTION OF THE OTHER  Foto: Rafael Scopel

3. Quais suas preferências musicais? O que mais gosta de ouvir?
Gosto de músicas que considero viscerais, e isto pode ser desde o heavy metal do Judas Priest, até música clássica de Chopin ao trip hop da banda Portshead!! Atualmente escuto em casa The  Black Dahlia Murder, Revolution Renaissance, Nick Cave e Tom Waitts. 

4. O que é a dança para você?
Dança é vida, é a minha vida! As impressões que tenho da realidade são todas contaminadas pelas sutilezas e superações de limites das experiências que vivi e vivo diariamente na dança. Dançar é uma oportunidade de ampliação da consciência de si e do outro, é aprender a ser sincero consigo mesmo e com o mundo, é uma carreira intensa que propicia se transformar numa pessoa melhor, menos egoísta. Quando danço me sinto eu, é o único momento que me sinto completa, terrivelmente eu.

                         
                                   Foto: Cristiano Prim

5. Que conceitos ou problematizações são frequentes na sua arte, de modo geral?
Gosto de pensar na dança contemporânea enquanto potente campo de ação política! Isto reverbera tanto no que concerne a reflexão-crítica sobre os assuntos tratados em cena bem como os processos compositivos e as opções de diálogo com outras vertentes do conhecimento. Mas, também, trabalhar com dança significa pensar, fazer e se juntar com seus pares para criar outros modos organizativos que propiciem financeiramente os processos de montagem, circulação, manutenção de trabalhos de artistas da dança de modo que se expanda o campo profissional e seja o mais democrático possível. Pensar politicamente a dança significa extrapolar os limites da mesma e alcançar o público, ocasionar modificações! 

6. Qual estilo de dança mais influenciou você ao longo dos anos? Por quê?
Fiz ballet clássico dos 5 aos 19 anos e após esta idade comecei a me dedicar  para a dança contemporânea!! Mas, o que de fato me contamina, o que me inspira esteticamente, é a corporeidade do mundo das musicas que escuto, das artes marciais, do skate. Adoro ir para shows de heavy metal pois, durante as apresentações, minha criatividade é aguçada e faço varias relações com meus projetos compositivos atuais. É engraçado: minha vida é voltada para a dança, mas frequento mais o ambiente da música e é neste ambiente que me contamino artisticamente! 

7. Quais as lacunas que você percebe no meio artístico/cultural?
Atualmente dois aspectos me preocupam com maior regularidade: 1) embora nós, profissionais da dança contemporânea, consigamos sobreviver e produzir arte contemporânea, diagnosticamos um mercado escasso no que concerne a apoio governamental e privado para nossas ações; 2) a dificuldade recém apontada provém de uma complexidade de fatores! Mas, me incomoda termos um pequeno público fruidor da nossa opção estética, o que nos impede de vivermos de bilheteria, e percebo que nos falta acreditar e apostar em alternativas criativas de sobrevivência!


* Cielinszka Wielewski é mestre em História Cultural pela UFSC; escritora, violoncelista e dona da marca Persephone Dark Clothes.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Editorial La Dance Tempestuous

Lançamento da nova coleção




Modelos e maquiagem: Hölle Carogne & Cielinszka Wielewski
Trabalho fotográfico: Andressa Passos; Jonas Ramos (auxiliar)























Making of

terça-feira, 6 de maio de 2014

Moda Underground Brasileira

                                                                                                             Por Cielinszka Wielewski*

Com o massivo acesso a bens e serviços que a internet nos proporciona, nos últimos anos a moda underground no Brasil sofreu um impacto grande e aumentou o consumismo entre pessoas de diversas classes sociais. Isso é bom ou ruim? Ou seja, o consumismo está apenas expressando a busca excessiva por uma aparência perfeita e aceitável, ou revela uma diversidade cultural dos sujeitos que não querem pensar igual a todos?                           
Marshall McLuhan, autor do conhecido termo “aldeia global”, ao referir-se sobre a televisão nos aos 60, afirmou que os meios de comunicação de massa aproximariam as pessoas e diminuiriam distâncias sociais. No caso da moda, hoje você pode constatar que tendo a internet como principal ferramenta de pesquisa e acesso, muitos brasileiros no circuito underground buscam inspirações nos mais diversos segmentos, influenciando e sendo influenciados por isso.                           
Será que poderia se dizer que a moda faz parte de uma indústria cultural? No sentido sociológico do termo, indústria cultural estaria ligada à arte consumida apenas como entretenimento nas sociedades industriais. Há o lado positivo e o negativo: aqueles que consomem apenas para distração e diversão, e aqueles que a vêem como um espaço de expressão crítica.
Se a música consumida, os filmes, a arte em geral no underground, bem como a moda nem sempre cumprem o objetivo relevante que é a reflexão, ao menos a exclusão social parece encontrar espaço propício para extravasar a raiva. Para Humberto Eco, não se pode apenas criticar os meios de comunicação que atingem as massas, porque eles podem levantar questões culturais, econômicas, sociais e políticas muito importantes. Levando em consideração que a moda está incluída nessas questões, ela tem um papel muito forte. Não esqueçamos que quem convive e está habituado ao underground, utiliza-se da internet e faz parte de um caldeirão cultural que mostra o próprio contraste de nossa sociedade, em que nem todos estão consumindo apenas por consumir. 
E a busca pela originalidade? Será que pelo fato de fazermos parte de uma sociedade globalizada, até mesmo no underground as influências externas atrapalham nossa produção e manifestação autêntica? Cabe aí uma reflexão ;)  Separei aqui duas entrevistas que fiz com consumidoras de moda underground, porque é interessante nesse contexto, alguns pontos de vista:

Luiza Phantoschmerz (L.P) – Rio Grande do Sul, Secretária
Alessandra Marsolla (A.M.) – São Paulo, Maquiadora e blogueira no Horror and Beauty

1. Para você, o que é moda?
L. P. Para mim a moda é uma forma de expressão através do vestir. É por ela que tento expressar à primeira vista minha personalidade e meus interesses.
A. M. A moda somos nós que criamos, cada um tem aquilo que faz seu estilo e isso que é a moda, aquilo que vem de dentro e faz a pessoa ser exatamente aquilo que só ela pode, é a unidade de cada ser, mesmo usando uma peça “ditada” pela tendência da moda.

                       Luiza Phantoschmerz – By Persephone Dark Clothes
                                                   Foto: acervo pessoal
                                       
2. Qual a relação entre a moda e a cultura underground (ou subculturas)?
L. P. O underground sempre teve uma ligação forte com a liberdade de expressão e a fuga dos padrões. Como disse anteriormente, acho que a moda é um desses canais de expressão, por onde as pessoas que não se encaixam nesses padrões estéticos ou de pensamento, buscam uma identidade.
A. M. Essa resposta seria gigantesca, mas ao meu ver é baseada naquilo que compõe o meu estilo, acredito que a subcultura gótica é o que mais dita minha moda, tanto com espartilhos,  como com peças cheias de detalhes em fitas e cetins, alem de muitos rebites e spykes.  
Lógico que ao longo da historia percebe-se todas as influências que a cultura underground tem sobre a moda, hoje em dia podemos ver o quanto de pessoas usam camisetas de bandas, até mesmo vendidas em grandes lojas de magazine, mostrando mais uma vez a importância da moda underground traz para o cotidiano de quem não segue um estilo definido.           
           
                  Alessandra Marsolla – By Persephone Dark Clothes
                        Foto: Blog Horror and Beauty
                                              
3. Você acha que a moda underground no Brasil está caminhando no sentido de ser mais original?
L. P. Não acho que esteja se tornando original, acho que o Brasil ainda "importa" muito a moda de outros países. Porém, vejo que cada vez mais os estilos alternativos vem sendo mais aceitos na sociedade. Um exemplo pessoal: quando fui pedir emprego pela primeira vez (há quase 8 anos atrás), recebi muita recusa por conta da minha aparência e não consegui trabalho no comércio, tive que partir para a indústria, onde não tinha contato com o público em geral e meu visual não era influência. Hoje trabalho como secretária e recepcionista, e nunca tive problemas com minhas tatuagens, piercings ou roupas. Claro que ainda posso ser considerada uma exceção (e também tento manter o visual leve, mesmo mantendo minha "essência"), mas creio que já evoluímos muito nesse sentido.
 A. M. Ser original é muito relativo, acho que não deve ter uma “ditadura” do que se deve ou não fazer, a originalidade está na naturalidade de cada um que segue o estilo. No Brasil a moda underground é pequena e existe muito preconceito com o “diferente”; então eu realmente acredito, que quem segue essa linha está vivendo uma originalidade única, e dentro desse pequeno grupo existe sim muito futuro e muito ainda que se viver e aprender.

4. Cite exemplos de artes que mais te influenciam.
L. P. Música, pintura/desenho, artesanato e dança.
A. M. Arte Gótica (em geral tanto na arquitetura como na literatura). Na música costumo escutar desde sons mais pesados como os mais lentos (óbvio que dentro do rock), mas as bandas que mais me influenciam são Semblant, Matanza, The cure, Rammstein, Motörhead, Duran Duran. No cinema assim como na TV, costumo ver muitos filmes e seriados de vampiros entre eles Entrevista com o Vampiro, Anjos da noite, True Blood, Drácula...

5. Que sites ou blogs você frequenta?
L. P. São vários. Gosto muito de páginas que mesclam arte e música com moda e decoração. Gosto muito do Through The Looking Glass da finlandesa MothMouth, Haute Macabre, Arcaicah, além de páginas no Facebook com esses e outros conteúdos que me são interessantes.
A. M. O meu é claro Horror and Beauty (http://horrorandbeauty.com/), Nox et Lux (http://noxetlux.blogspot.com.br/), Nosferotica (http://www.nosferotika.com.br/), entre outros. Porém esses são os que mais vejo na linha underground.

*Mestre em História, escritora, violoncelista e dona da Persephone Dark Clothes.